
Muitas pessoas acreditam que os problemas da juventude podem ser resumidos em “Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST)” e “Falta de Qualificação e Experiência Profissional”, talvez sejam as mesmas pessoas que acreditam que a economia vai bem, que o Brasil vai decolar e que a coisa está realmente ruim apenas na Grécia.
Os jovens, que poderiam estar interessados em suas questões, em sua maioria estão preocupados com a próxima festa e que o tempo passe logo (para se mandar o quanto antes da cidade). A condição histórica de protagonista social de grandes transformações, nunca chegou ao interior do Rio Grande do Sul pelas mãos dos jovens e sim por acordões imposição da mídia ou de políticos.
É visível a inexistência e esvaziamento dos movimentos sociais. Aos que resistem, lhes falta fôlego ou capacidade de garantir sua autogestão, ampliando os elos de dependência com estruturas de poder que só fazem alimentar as desigualdades, mesmo aqueles com um discurso bonito e pouca prática. A falta de mobilização, participação e interesse, se dá na maioria das vezes por falta de auto-estima e por medo do estigma de parecer subversivo ou diferente. No interior, muitos empresários, pais e políticos, preferem ver os jovens todos iguais: igual a fulano que se veste bem, igual a ciclano que tem carrão, igual a beltrano que está sempre na danceteria com as garotas, igual a contrano que o pai conseguiu pra ele um emprego muito bom através de favores políticos.
Assim é o retrato de uma juventude desmoralizada, dependente e que não luta, condicionada ao silêncio, comportada e de preferência com medo. Os jovens andam de joelhos pelas ruas, esperando agachados pelos seus dias de liberdade longe dos pais, dos políticos e dos costumes tradicionais, dizendo: essa cidade é uma merda! deveriam botar fogo nela!
Então aquelas garotas e rapazes que estão com suas vidas suspensas pelos fios da dominação promovida pelos interesses de poucos, pelo medo de alguns e pela omissão de muitos, decidem tocar suas vidas do jeito que lhes parece a melhor forma, buscam um emprego no comércio, dedicam adoração à esperança de ócio remunerado dos concursos públicos, são orientados pelo mercado para cursar uma graduação que garanta um bom emprego infeliz e acabam por dar as costas para sua cidade, história e legado.
Essa juventude que se contenta em dizer que “as coisas são assim e que nada vai mudar”, permanecerá até quando? O que é necessário para abrir seus olhos? Que tal a queda de uma turbina de avião em cima de suas camas, uma invasão alienígena, a chegada de um messias, um passe de mágicas, um político honesto, um unicórnio falante, um desastre. Sim! Acredito que isso poderia resolver e percebi que o desastre já está acontecendo. Voltei correndo para casa e estou tentando ajudar, como qualquer pessoa que se torna mais humana durante a enchente, ou removendo escombros.
O desastre está posto, basta olhar em volta e observar nossos problemas sociais, nos falta agora os seres humanos. Só que isso nem sempre somos.
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Tiago Jaime Machado é natural de Cachoeira do Sul.