10, 15 ou nenhum vereador: referendo pra quem?

Depois de diversas armações e manipulações em nome do povo, vai acontecer o tal referendo pelo aumento ou não, do número de cadeiras para vereadores em nossa cidade. Um grupo de ricos, com históricas ligações com a ditadura militar, decidiram colocar à prova o seu poder e escolheram esse tema como instrumento de aferição.

O povo é utilizado como massa de manobra novamente, só que desta vez são os compradores de favores que empurram a população contra seus legisladores em nome de uma suposta economia, sem revelar seus reais objetivos de continuidade dos seus lucros crescentes, de sua vulgar demonstração de força e na manutenção do suposto controle social exercido por suas benevolentes e caridosas opiniões de quem vive em gabinetes privados.

Os vereadores e vereadora, calaram-se frente a cartada final do grupo de desconhecidos do povo, chamados por alguns de elite. Os representantes da democracia baixaram a cabeça para seu tirano com medo das próximas eleições, já que esses senhores, que agem pelas costas, em reuniões fechadas, repletas de interesses, são tidos como os donos da opinião popular da cidade.

Essa democracia viciada, roubada, corrupta e desgastada, não nos representa, não nos interessa, não supre nossas necessidades. Não vou comparecer nem em maio, nem em outubro, minha esperança não está na urna. Prefiro nenhum vereador, prefeito, secretário, presidente, juiz, padre, pastor, patrão, patrocinador, pai, amo, mestre ou família.

Façamos com as mãos as transformações que esperamos. (A)

A vida em suspensão: Um retrato da “Geração Perdida” no interior do RS

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Muitas pessoas acreditam que os problemas da juventude podem ser resumidos em “Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST)” e “Falta de Qualificação e Experiência Profissional”, talvez sejam as mesmas pessoas que acreditam que a economia vai bem, que o Brasil vai decolar e que a coisa está realmente ruim apenas na Grécia.

Os jovens, que poderiam estar interessados em suas questões, em sua maioria estão preocupados com a próxima festa e que o tempo passe logo (para se mandar o quanto antes da cidade). A condição histórica de protagonista social de grandes transformações, nunca chegou ao interior do Rio Grande do Sul pelas mãos dos jovens e sim por acordões imposição da mídia ou de políticos.

É visível a inexistência e esvaziamento dos movimentos sociais. Aos que resistem, lhes falta fôlego ou capacidade de garantir sua autogestão, ampliando os elos de dependência com estruturas de poder que só fazem alimentar as desigualdades, mesmo aqueles com um discurso bonito e pouca prática. A falta de mobilização, participação e interesse, se dá na maioria das vezes por falta de auto-estima e por medo do estigma de parecer subversivo ou diferente. No interior, muitos empresários, pais e políticos, preferem ver os jovens todos iguais: igual a fulano que se veste bem, igual a ciclano que tem carrão, igual a beltrano que está sempre na danceteria com as garotas, igual a contrano que o pai conseguiu pra ele um emprego muito bom através de favores políticos.

Assim é o retrato de uma juventude desmoralizada, dependente e que não luta, condicionada ao silêncio, comportada e de preferência com medo. Os jovens andam de joelhos pelas ruas, esperando agachados pelos seus dias de liberdade longe dos pais, dos políticos e dos costumes tradicionais, dizendo: essa cidade é uma merda! deveriam botar fogo nela!

Então aquelas garotas e rapazes que estão com suas vidas suspensas pelos fios da dominação promovida pelos interesses de poucos, pelo medo de alguns e pela omissão de muitos, decidem tocar suas vidas do jeito que lhes parece a melhor forma, buscam um emprego no comércio, dedicam adoração à esperança de ócio remunerado dos concursos públicos, são orientados pelo mercado para cursar uma graduação que garanta um bom emprego infeliz e acabam por dar as costas para sua cidade, história e legado.

Essa juventude que se contenta em dizer que “as coisas são assim e que nada vai mudar”, permanecerá até quando? O que é necessário para abrir seus olhos? Que tal a queda de uma turbina de avião em cima de suas camas, uma invasão alienígena, a chegada de um messias, um passe de mágicas, um político honesto, um unicórnio falante, um desastre. Sim! Acredito que isso poderia resolver e percebi que o desastre já está acontecendo. Voltei correndo para casa e estou tentando ajudar, como qualquer pessoa que se torna mais humana durante a enchente, ou removendo escombros.

O desastre está posto, basta olhar em volta e observar nossos problemas sociais, nos falta agora os seres humanos. Só que isso nem sempre somos.

Tiago Jaime Machado é natural de Cachoeira do Sul.

Um passo à frente e você não está mais no mesmo lugar

Foto: Memorial Chico Science

“Um passo à frente
E você não está mais no mesmo lugar

Eu só quero andar nas ruas do Brasil
Andar no mundo livre
Sem ter sociedade
Andando pelo mundo
E todas as cidades
Andar com os meus amigos
Sem ser incomodado
Andar com as meninas
E eletricidade”

O breve, eterno e poderoso Chico Science cantou em “Um passeio no mundo livre” a mudança de comportamento que desejamos, que busca romper as amarras e vivenciar uma outra cidade, outra rua, um mundo livre. Mas para isso é preciso sair do lugar.

Ao cantar “Um Passo à frente | E você não está mais no mesmo lugar“, sugere que cada pequena atitude pode ser transformadora, pode revelar outros aspectos cotidianos e romper com a letargia estabelecida, onde muitas vezes essas barreiras são impostas por aceitação e não por desconhecimento.

Hoje dei um passo para trás, recuei em algumas iniciativas e confesso que algo morreu um pouquinho dentro de mim. Espero que se torne um passo à frente, que possa sair do lugar, que possa me transformar e principalmente; que contribua no enfrentamento (ainda que individual).

Sem apropriação não há espaço. Mexa-se, saia do lugar!

Nossos direitos são mais importantes

gastrópode

Existe um tipo de argumentação que me surpreende, me choca e me ofende. É difícil entender como um ser humano pode reduzir a esfera social somente ao local onde passa o seu rastro gastrópode. Limitar o mundo até onde a vista alcança é a forma recorrente de anulação desses indivíduos.

Sem tentar perceber, dispara: “Eu não utilizo o transporte público (ou bicicleta, ou sistema de saúde pública), esse problema não é meu!” – Uma ponta de lança atravessa meu peito, não consigo me mover. Como alguém consegue não se importar dessa maneira? Isso é medo, indiferença ou convicção? Não sei, prefiro sequer entender.

Deglutir as respostas instantâneas tem se tornado um esporte, cerrar os olhos, respirar fundo e apresentar meus argumentos uma ou duas vezes apenas. Feito isso, me resta desistir, fechar as portas e evitar o conflito. Prefiro deixar as palavras afiadas e os golpes de mão para o inimigo.

Prossigo a defender teus direitos, que também são meus e das pessoas que deles dependem para viver. Nossos direitos são mais importantes que a sua indiferença.

Isso não é uma fábrica (3x)

FAT Crier workshop 1

Compartilhar espaços, responsabilidades, atividades e ideologias com pessoas diferentes de você é muito bom, afinal elas acreditam dos mesmos princípios, estão afinadas, entregues e dispostas. Então porque haveria qualquer tipo de impedimento nesse grupo se existe confiança mútua? Não esconda o cofre, ao contrário, mostre onde ele está, entregue uma cópia das chaves e divida a responsabilidade de zelar por ele.

Alguns grupos, mesmo sem perceber, por vezes acabam replicando o esquema hierárquico da família, a autoridade militar, o dogmatismo da igreja ou a opressão do trabalho. A vida não é uma indústria. Um grupo horizontal proporciona encontros com novos horizontes, perspectivas, saberes e fazeres. Se cada pessoa puder trocar conhecimentos com outra, mesmo em funções banais, a figura do especialista se desfaz e a coletividade se fortalece.

Se você e eu pudermos escrever um texto, consertar uma bicicleta, fazer um zine, assar pães, pintar cartazes ou administrarmos um projeto editorial ou tecnológico juntos, ainda que leve mais tempo ou ocorra em pequenos riscos, o exercício de confiança mútua tornará nossas ações mais efetivas no próximo passo. Isso não é uma indústria, onde cada pessoa executa apenas uma tarefa e pouco tem de consonante com as atividades de quem está ao seu lado.

Viva em grupo, viva o grupo!

troque os binóculos pela lupa

Cena do filme "Un chien andalou", Luis Buñuel e Salvador Dalí, 1928.

Que tal tentar trocar os binóculos por uma lupa? Observar o mundo distante, longe e cheio de expectativas para a hora de chegar, é em muitas vezes, somente alimentar uma ansiedade, um desejo distante e uma observação fria daquilo que poderia estar próximo. Um exercício de futurologia que pode muitas vezes simplesmente não chegar.

Ao observarmos o mundo com uma lupa, podemos senti-lo próximo, ampliado e rico em detalhes. Ver o mundo presente, ao alcance das mãos, na minúcia dos significados é um exercício que pode extrapolar a relação objeto-observador e pode, em muitas vezes, encontrar detalhes escondidos, soluções e informações desconhecidas.

A prática social de observação do tempo presente, da própria comunidade, grupo, bairro ou cidade, através de uma lupa, pode identificar e depurar os fragmentos, trazer ao conhecimento aquilo que poderia ser tratado como supérfluo ou banal. Encontrar, vivenciar e transformar as situações e fenômenos locais pode em muitas vezes, ser mais significativo que simplesmente imaginar um mundo perfeito e reformado lá numa ilha distante.

Viver em comunidade e para sociedade é tentar encontrar soluções práticas para os problemas reais, presentes e próximos.

Você consegue ver o código?

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Muito bem, você abriu os olhos de verdade. Existe um mundo novo, maravilhoso e bonito na frente de você, só que agora ele está feio e dominado por agentes do mal, que você mesmx inventou, consome e produz, curti e compartilha. Este mundo velho e morto é todinho seu. Estique o braço, veja como o seu mundo atende aos seus desejos e faça-o acontecer.

Estando ou não na Matrix, alguns de nós já entendemos que é melhor usar nosso tempo livre, conhecimento e energia para derrubar o sistema, os governos, os políticos, o grande capital, as corporações, as indústrias de transgênicos, as pet shops, os canais de tv, os quartéis, as delegacias de polícia, clínicas psiquiátricas, escolas particulares, …

Então porque decidir atacar uma pessoa como você? uma pessoa explorada, fodida, massacrada, esmagada, torturada, roubada, discriminada, taxada, cobrada, regulada, colonizada, pacificada, reajustada e tarifada. Destrua o que te destrói! (mas é melhor rever suas prioridades.)

Agora diga: Eu sei Kung-Fu

Estado: refém de seus vícios

O encontro era totalmente informal, boas conversas, tons e cores de confidências sociais. Eis que o corvo pousa no telhado e afugenta a coruja. Revela diante dos olhos, a densa e lamacenta estrutura de poder da máquina fumegante de exploração, tristeza e abandono que muitos preferem chamar de Estado.

Esse dispositivo artificial de coerção, controle e violência, tem sofrido por dentro em função de seus vícios. Tornando-o, em muitas vezes, refém de situações que nem mesmo Espinoza encontraria razão, substância ou lógica capazes de justificar o comportamento social desda instituição.

O pensamento e a visão de mundo vigente entre a maioria das pessoas que deveriam estar comprometidas, revela-se justamente na direção oposta ao sentido de autonomia, coletividade, sociedade e o bem comum. Um grande grupo, em diferentes escalas de intervenção do “Estado como provedor”, estão só e unicamente dispostos em fazer valer as vantagens do controle da máquina.

Maldita Lei de Gerson!


Em homenagem às diversas pessoas que se dedicam em praticar os seus princípios, dentro ou fora da máquina. Obrigado por existirem e mostrarem sua voz (ainda quando silenciada).

E a dona vírgula como vai?

process of cumulative aggregation of grammatic fractals and  tetrakys

Sim! Você já deve ter percebido que não sei utilizar as vírgulas, os tempos verbais, o futuro mais que perfeito do pretérito anterior virando à esquerda. Bom, particularmente eu pouco me importo com isso. Sei que é grave para aquelas pessoas que se importam, afinal, é como um jovem que toca num instrumento levemente desafinado. Você ouve, sabe e vê que algo está errado, mas até que ponto poderá deixar de sentir por causa disso?

Antigamente eu ficava perturbado quando perguntava a alguém se tal expressão tinha “crase no a” e a pessoa vinha com diversas explicações que simplesmente não faziam o menor sentido (na minha forma de entendimento). Curiosamente, quem gosta desse tipo de explicação, também gosta de querer impor/ensinar gramática. Acho bonito, até tocante, mas acho um saco ter que esperar uma mega explicação só para saber se vai ou não a maldita crase. Por isso aderi ao método escolar tradicional: decoreba!

É claro que sou um imbecil! Só porque pouco me importo com a longa explicação sobre as crases, imagine o que penso sobre concordância, pontuação e blá blá blá. Conhece alguma decoreba para distribuir as vírgulas?

Por fim, só queria deixar registrado que acredito no impacto da mensagem e no poder da comunicação, não na sua forma. Portanto, se você tiver a boa vontade, sinta-se livre para exercer sua coerção, digo, correção.

Até =)

cada adesão deve ser celebrada

Estar na luta é, em muitas vezes, endurecer os olhares, precaver os atos, aguçar os sentidos e preparar um vocabulário instantâneo de contramedidas. Resistir é enfrentar o inimigo, atacá-lo é expôr suas feridas e fragilidades. Nossa atividade e esperança, é fazer essa máquina fumegante tombar, diante de nossa afronta em negar sua dominação.

Viver a luta requer uma visão calorosa, próxima e humanizada de seus pares, amigxs, aliadxs e parceirxs. É importante celebrar a chegada de cada pessoa no lado de cá das barricadas. Receber de braços abertos, dedicando minutos, horas ou dias de atenção, até que estejam familiarizadas, conectadas e conscientes da dureza dos dias de luta e das noites de amor.

Celebrar as chegadas é tão importante quanto chorar as partidas, lamentar as despedidas e manter a saudade no peito. Cada nova adesão é um gesto de amor e consciência, cada nova adesão, todo o crédito. Em cada coração, uma célula revolucionária.